Fisioterapia Respiratória no Tratamento Ambulatorial da Tuberculose Pleural

Postado em 25 junho 2010 por admin

Fábio Cangeri Di Naso¹.²; Karla Poersch¹.²; Adriana Michaelsen Azevedo¹; Juliana Saraiva Pereira²; Alexandre Simões Dias²

1 – Hospital Sanatório Partenon;

2 – Escola de Saúde Pública;

Resumo:

A tuberculose (TB) é a causa mais frequente de derrame pleural no Brasil e o derrame pleural tuberculoso (DPT) é a forma de TB extra pulmonar de maior prevalência em indivíduos com HIV negativo. Esta doença é ocasionada pela resposta hipersensível aos antígenos da micobactéria no espaço pleural. Complicações como o espessamento pleural e o empiema tuberculoso não são achados incomuns nos pacientes, mesmo na vigência do tratamento com tuberculostáticos. Objetivos: Avaliar as alterações respiratórias em indivíduos com TB pleural e os efeitos da fisioterapia respiratória no tratamento ambulatorial. Métodos: Trata-se de um estudo observacional em que foram incluídos 13 pacientes com o diagnóstico de DPT em início de tratamento com o esquema RHZ no Ambulatório de Tisiologia do Hospital Sanatório Partenon. O tratamento fisioterapêutico teve freqüência semanal de forma presencial e foi realizado por meio de técnicas de reexpansão pulmonar com a utilização de inspirômetro de incentivo (Respiron), orientação de padrões ventilatórios insuflantes associados a exercícios ativos de membros superiores e pressão expiratória positiva na via aérea com carga linear de 15 cm H2O (Threshold PEP). Durante todos os exercícios os pacientes foram orientados a manter um padrão ventilatório diafragmático com freqüência de 8 a 12 incursões ventilatórias por minuto. Além do encontro semanal, foi fornecida aos pacientes uma cartilha contendo orientações de exercícios de reexpansão pulmonar que deveriam ser realizados diariamente. Foram avaliados no período pré e um mês pós intervenção fisioterapêutica os testes da função pulmonar (capacidade vital forçada-CVF, volume expiratório forçado no 1 segundo- VEF1 e pico de fluxo expiratório- PFE) através do espirômetro Microlab ML-3500 (®Micromedical). Também se avaliou a força dos músculos respiratórios (pressão inspiratória e expiratória máxima- PImáx e PEmáx) através da manovacuometria. Análise estatística: foi utilizado o teste t para amostras pareadas. As diferenças foram consideradas significativas para valores de p=0,05. Resultados: A amostra foi composta por 49,7% de indivíduos do sexo masculino e em 80% dos casos o lado acometido foi o direito. Todos os pacientes apresentaram espirometria com interpretação de distúrbio ventilatório restritivo. Após um mês de tratamento, observou-se uma melhora nas variáveis PImáx (67,75±25,05 vs 82,50±25cmH2O; p=0,02), PEmáx (66±27,7 vs 83,00±24,76cmH2O; p=0,01), CVF (2,29±0,68 vs 2,90±0,49L; p=0,001), VEF1 (2±0,46 vs 2,37±0,14L; p<0,001) e PFE (6,03±0,93 vs 6,92±0,88L/s; p=0,01). Conclusão: através dos resultados conclui-se que o treinamento respiratório com Threshold® IMT incrementa força muscular, volumes pulmonares e potencializa a função vocal.

Palavras-chave: derrame pleural, tuberculose, fisioterapia

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